Apresentação

O Projeto Entre Serras, rede de arte contemporânea, entre agricultura e biodiversidade tem por objectivo criar um espaço psico-cartográfico que se constitua enquanto rede de arte contemporânea entre Portugal, Espanha e França (Beira Baixa e Beira Alta, Regiões da Extremadura e de Castela e Leão, Departamentos dos Alpes de Haute-Provence e Bouches du Rhône …).
É um projeto cultural, social e científico que inclui ações artísticas colaborativas e transdisciplinares, comprometidas com as comunidades, tendo como objetivo favorecer o desenvolvimento local e em rede.
Trabalhando in situ (intervenções no território) e in visu (visualização da documentação fotográfica e outras mídia através de exposições e de uma plataforma digital) os artistas convidados imprimem em cada um dos seus trabalhos um vínculo com o local de implantação da obra. Ao fazê-lo, destacam as histórias dos lugares, bem como fenómenos ligados às atuais problemáticas dos territórios rurais e urbanos de montanha (transformação das populações, paisagens, agricultura, biodiversidade, turismo, alterações climáticas…).
O PES pretende, pela experiência da colaboração com artistas, públicos e instituições, os quais produzem com as comunidades ações coletivas e obras destinadas a permanecer ao ar livre ou a serem exibidas em eventos, exposições e museus, questionar as interações humanas com os meios humanos e animais nos territórios de montanha.
Para as comunidades, participar nestas ações caminhando ao seu encontro ou fazendo mesmo parte do processo artístico, significa conectar-se com a montanha e com a realidade histórica, social, antropológica, ecológica no seu dia a dia. As obras podem existir no olhar dos espectadores e na sua memória, habitam o espaço, mas tornam-se também narrativas que se transmitem.
É importante lembrar aqui que os museus deixaram de ser apenas espaços onde é recolhido e preservado o que (nunca) desapareceu, para se tornarem espaços de diálogo e de reflexão a partir dos quais se podem re-inventar formas de habitar os lugares e a nossa terra.
O PES teve a sua primeira edição com as instalações Pirilampos do artista Erik Samakh nas Serras da Estrela, Malcata / Mesas, Açor e na Escola Profissional Agrícola Quinta da Lageosa, e com as jornadas e exposições : Interação entre o ser humano e os meios (humanos, animais, orologia e vegetal) em territórios de montanha que tiveram lugar no Fundão e no Sabugal em novembro e dezembro de 2017.
Estes Pirilampos além de simbolizarem a resiliência da biodiversidade, assinalam a adesão à rede de arte contemporânea do Projeto Entre Serras.
A segunda edição resultou de uma parceria com o Museu de Lanifícios da Universidade da Beira Interior e com a Associação Cultural New Hand Lab, no âmbito da Montanha Mágica* (http://www.montanhamagica.ubi.pt/2018), evento co-organizado em novembro de 2018 pela Universidade da Beira Interior (UBI) e Faculdade de Belas Artes / Universidade do País Basco. Os artistas-professores da Escola superior de arte de Aix-en-Provence (ESAAix), (Abraham Poincheval – performance, Jürgen Nefzger – fotografia, François Parra – som e Carlos Casteleira – fotografia), juntamente com estudantes da ESAAix e da UBI, exploraram a Covilhã e as Aldeias do Xisto. A visita ao Sobral de São Miguel, uma das 27 Aldeias do Xisto, ainda animada pelo ritmo de uma atividade agrícola e de uma vida comunitária que se tenta salvaguardar, e com o seu papel histórico na chamada rota do sal e nas minas de volfrâmio na Panasqueira, evidenciou a articulação entre os territórios rural et urbano.
Nesse sentido, a proposta de Nadine Gomez do Museu Gassendi – Cairn* é exemplar. Através da arte contemporânea, com artistas como Andy Goldsworthy, herman de vries, Richard Nonas e muitos outros, ela ativa o apego das comunidades à sua terra e ao seu ambiente geológico.
O Museu de Foz Côa e o Museu Vostell Malpartida de Cáceres, através das vozes de Bruno Navarro e José Antonio Agundez, questionam-nos sobre o passado e o presente. Como as imagens gravadas do Vale do Côa e obras de Fluxus, além de simples representações, ativam uma mediação entre diferentes espaços e tempos, uma meditação sobre os lugares entre o céu e a terra, sobre a passagem entre vida, morte e renascimento.
As imagens e a suas dimensões, informativa, poética e mágica despertam a nossa capacidade de imaginar mundos. A aparência e, portanto, a arte, nas diversas reflexões implementadas, tornam visível e carregam um potencial dialógico de auto-organização em torno de futuros em comum.
As atas das jornadas Interação entre o ser humano e os meios em territórios de montanha que tiveram lugar dia 10, 11 e 12 de novembro de 2017, no lançamento do Projeto Entre Serras na Moagem Cidade do Engenho e das Artes – Fundão, serão disponibilizadas em breve.
Obrigado a todos pela colaboração, obrigado especialmente à Câmara Municipal do Fundão que fez o possível, a pesar das difíceis circunstancias e dos incêndios de 2017, para que este projeto se pudesse iniciar, à Câmara Municipal do Sabugal que apoiou a iniciativa, ao Miguel Vasco da iNature – Destinature, à ADIRAM e à ADXTUR. Obrigado enfim aos artistas e aos participantes das jornadas por contribuírem para esta reflexão sobre Interações entre os seres humanos e os meios em territórios de montanha.

CAIRN : Centre d’art informel de Recherche sur la Nature
iNATURE : Destinature – Agência para o desenvolvimento do Turismo de Natureza.
ADIRAM : Associação de Desenvolvimento Integrado da Rede das Aldeias de Montanha
ADXTUR : Agência para o Desenvolvimento Turístico das Aldeias do Xisto


A criação de um Laboratório da paisagem através de um dispositivo de visualização digital, juntando uma base de dados relacional, entre arte, fotografia, sons, textos, agricultura, biodiversidade e outras informações relativas às intervenções, produções e relações que os artistas, desenvolvem com os territórios, constitui outro desafio do PES.
É nesta articulação entre a organização das propostas de co-criação, o convite a artistas e o trabalho documental, que se posiciona claramente o trabalho artístico desenvolvido no PES. O mapeamento das produções resultantes das relações subjectivas / objetivas que os artistas desenvolvem com a paisagem, o território e o vivo, será considerado a partir das múltiplas possibilidades oferecidas pela arte entre o mundo digital e o espaço real.
Contribuir para o conhecimento e a compreensão sensível dos fenómenos e das interações humanas, passadas, presentes e futuras, com os mundos vegetais, animais e minerais, e com as energias que os animam constitui a motivação do PES. A relação entre o campo e a cidade, a agricultura, a biodiversidade e a tecnologia está no centro do projeto, pois são os campos que alimentam as cidades com os seus produtos e imaginários e a poética das relações humanas com o mundo faz necessariamente parte do processo.
As imagens do projeto vão ser disponibilizadas numa plataforma cartográfica digital produzida no âmbito de uma colaboração com o projeto Walking the Data | Plotmap da ESAAixFC
(École supérieure d’art d’Aix-en-Provence Felix Ciccolini), a FAI-AR (Formation supérieure d’art en espace public) e o Museu da Paisagem que nasceu no IPL (Instituto Politécnico de Lisboa).
Os primeiros resultados desta investigação foram publicados numa colaboração entre a ESAAix e o Labcom / ARS em abril 2020. (PDF)
Como as imagens podem contribuir para religar ciência, agricultura, biologia e tecnologia, bio-tecnologia, natureza e sociedade? Como as interações entre seres humanos e os seus meios modificam e estruturam a paisagem e o território? Como acompanhar o desenvolvimento dos territórios política, social e ecologicamente com experiências artisticas ?
A evolução das cidades e do campo, do planeamento urbano,
os modos de nos alimentarmos, de habitar e viver questionam e moldam as paisagens, vetores e resultantes essenciais da complexidade dos ecossistemas. É disso que Jaime Izquierdo Vallina e Henrique Pereira dos Santos falam quando nos falam do que comemos e de como habitamos uma paisagem. Reafirmam assim o nosso poder de agir em simbiose com o território como produtores e consumidores.
Os museus como dispositivos não são mais considerados apenas como estruturas dedicadas à conservação de uma memória. Em vez disso, tornam-se locais de invenção onde o passado e o presente se cruzam e tornam possíveis futuros visíveis .
Nestes dispositivos, a questão artística obviamente ocupa um lugar fundamental. É disso que Erik Samakh e Pierre Paliard nos falam quando nos convidam a questionar, por meio da ação mediadora da arte, as interações entre os mundos rural e urbano, entre as naturezas selvagem e domestica em dialogo desde o Neolítico.

PDF DAS ACTAS DAS JORNADAS (em breve)


Até hoje o PES convidou:
··Sofia Aguiar (Pt)
··Sébastien Arrighi (Fr)
··Duarte Belo (Pt)
··Thierry Boutonnier (Fr)
··Rodrigo Braga (Br)
··Tomas Colaço (Pt)
··Alvaro Domingues (PT)
··Virginia Lopez (Sp)
··Beth da Mata (Br)
··Laetitia Morais (Pt)
··Juliana Notari (Br)
··Erik Samakh (Fr)
··Stalker (It)
··Micaela Vivero (EUA- Ecuador)
··A Escola de Arte de Aix en Provence:
··Jean Cristofol
··Willy Legaud
··Catherine Melin
··Jürgen Nefzger
··François Parra
··Abraham Poincheval
Colaborou com:
··Caminheiros da Gardunha
··Gardunha 21
··iNature – Destinature
··Município do Fundão, A Moagem, Cidade do Engenho e das Artes
e Museu de Arqueologia José Monteiro
··Municipio do Sabugal e Museu do Sabugal
··Aldeias do Xisto, Sobral de São Miguel e Barroca do Zêzere
··Aldeias de Montanha
··Luzlinar – Espaço Pontes
··Montanha Mágica – UBI
··Museu dos Lanificios – UBI
··New Hand Lab
··Escola Profissional Agrícola da Quinta da Lageosa
··Museu da Paisagem
··Reserva da Faia Brava
··Museu do Vale do Côa
··Museu Vostell Malpartida de Cáceres
··PACA_Proyectos Artísticos Casa Antonino
··Denison University
A residência de Juliana Notari no Sabugal e no Museu Vostell Malpartida, e o workshop Linha do Côa, entre arte paleolitica e Fluxus (uma parceria entre a ESAAix, a UBI e a universidade de Extremadura) foram adiadas por conta da pandemia Covid-19.
CATALOGO 2017 (1° edição do PES)

Objetivos

  • Criar uma Rede de Arte Contemporânea que ligue as serras de três países (Portugal, Espanha e França);
  • Promover o desenvolvimento local criando oportunidades de negócio relacionados com a arte, a agricultura e a biodiversidade, organização de passeios, turismo rural, venda de artesanato e produtos agrícolas, exposições, festivais (bienal de arte ligada a natureza, a arte, a fotografia e a agricultura gerando imagens desta última que sejam atractivas para as camadas mais jovens da população, etc);
  • Promover uma região natural de excelência e a dignidade das populações rurais locais;
  • Unir um território e respectivas populações, sobrepondo a unidade geográfica à administração política, o caminho para a verdadeira integração Europeia;
  • Sensibilizar o público e as populações locais para a arte contemporânea, a agricultura e a biodiversidade;
  • Divulgar artistas contemporâneos locais ligados à natureza, à agricultura e à biodiversidade;
  • Atrair para a Região artistas de renome internacional, os quais por sua vez produzirão obras que serão foco de atração no circuito internacional.

Contexto 

PES, Projeto Entre Serras, Rede de Arte Contemporânea, entre Agricultura e Biodiversidade, é um projeto pioneiro que visa criar uma Rede de Arte Contemporânea, entre as serras da Estrela, do Açor, da Gardunha, da Malcata / Mesas e Gata. Foi criado pelo artista visual Carlos Casteleira e  a engenheira silvicultora Manuela Pires da Fonseca.
O PES é uma ação piloto promovida em 2017 pela Agência de Desenvolvimento iNature – Destinature – Agência para o desenvolvimento do Turismo de Natureza, em parceria com a ADXTUR, a ADIRAM e municípios do Fundão e do Sabugal, e co-financiada pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) através do CENTRO 2020 – Programa Operacional Regional do Centro.
A Estratégia de Eficiência Coletiva PROVERE iNature – Turismo Sustentável em Áreas Classificadas assenta na valorização e consolidação da marca associada ao foco temático do Turismo de Natureza nas áreas classificadas da Região Centro de Portugal continental, visando nomeadamente operar sobre a capacidade de inovação deste recurso na diferenciação da oferta regional, na criação de postos de trabalho e reforço do empreendorismo na região.
Territorialmente, congrega as principais áreas classificadas da Região Centro:
1. Parque Natural da Serra da Estrela
2. Paisagem Protegida da Serra do Açor
3. Reserva Natural da Serra da Malcata
4. Paisagem Protegida Regional da Serra da Gardunha
5. Geoparque Naturtejo
6. Parque Natural Local Vouga-Caramulo
7. ZPE Sicó/Alvaiázere
8. Parque Natural da Serras D’Aire e Candeeiros
9. Mata do Bussaco
10. ZPE Vale do Còa e Reserva da Faia Brava
11. Serra da Lousã
12. Paisagem Protegida da Serra de Montejunto
A rede constituída por estas unidades territoriais define uma estratégia integrada de acções que visam capacitar o território regional para actividades de pedestrianismo, BTT, montanhismo e birdwatching, entre outras, na dinamização do potencial intrínseco dos recursos endógenos deste território para a afirmação de uma oferta de excelência no domínio de Turismo de Natureza correspondente às tendências e motivações que definem a procura turística.
No âmbito dos seus projetos âncora destaca-se o PES – Projeto Entre Serras, ação de grande potencial para, em plena convergência com a matriz de identidade mais pura da rede iNature, promover a interação entre natureza e arte contemporânea na multiplicação de possibilidades e horizontes para um produto turístico que pretende valorizar de modo sustentável este território e as suas comunidades.
Deste ponto de partida, iniciamos a descoberta e a exploração do estado da arte, nas paisagens e na cultura das áreas classificadas da região centro de Portugal.