residência artística Laetitia Morais

TARDE FRIA – 2019

Denison Art Space in Newark, Ohio – USA
26 Set. – 18 Out. 2019

As ideologias em declínio e a temporalidade da crítica são
motivos recorrentes no trabalho de Laetitia Morais (Paris, 1984). Bolseira Ernesto de Sousa 2011 (Fundação Gulbenkian + FLAD); prémio melhor vídeo musical 2016 (Festival de Cinema Vila do Conde), bolseira de investigação 2018 pela Academia das Artes
de Viena e com a AIR 2019 Award pelo Ongoing Art Center
Tokyo. É professora na Universidade de Coimbra e doutoranda
na Zurich University of Arts e kunstuniverstät Linz.
Na exposição PES@DASiN Laetitia apresenta uma obra videográfica na forma de instalação, já que se requeria a visualização simultânea de intrincadas qualidades territoriais entre o Cabeço do Pião e a Barroca do Zêzere, região onde desenvolveu a sua residência PES.

Relatos documentais ou devaneios urgem questionar os efeitos da exploração mineira na paisagem e na vivência dos seus habitantes. Os minerais recolhidos do subterrâneo e expostos à luz, na forma de colinas invertidas as chamadas lavrarias ou escombreiras – impõem-se numa paisagem onde sobra muito pouco de pristino.

Os registos audio e fotograficos foram realizados em agosto 2019 numa parceiria com as Aldeias do Xisto entre a Barroca do Zêzere e o Cabeço do Pião.

https://laetitiamorais.weebly.com/

Declining ideologies and the temporality of criticism are
recurrent motives in Morais’s work. She has participated
in many international events and received many accolades,
including the Scholarship Ernesto de Sousa 2011 (Gulbenkian
Foundation + FLAD), the 2016 best music video award (Vila
do Conde Film Festival), 2018 research grant from the Vienna
Academy of Arts, and the AIR 2019 Award from the Ongoing
Art Center Tokyo. She is currently a professor at the University
of Coimbra and a doctoral student at Zurich University of
Arts and Kunstuniversität Linz.
This installation proposes a simultaneous visualization of contradictory territorial qualities of the region between Cabeço
do Pião and Barroca do Zêzere in Portugal.

The documentary footage urges viewers to question the effects of mine exploitation on the landscape and on its inhabitants’ lives. Minerals are collected from underground and exposed to light in the form of inverted hills – the so-called lavrarias or heaps – which
impose themselves on a landscape, where nothing pristine
remains.

Video and audio recordings were produced during an artistic
residency period in August 2019, with the support of the
Schist Villages.
https://laetitiamorais.weebly.com/

TARDE FRIA – 2019
Esta instalação propõe a visualização simultânea de
contraditórias qualidades territoriais da região entre o
Cabeço do Pião e a Barroca do Zêzere. Relatos
documentais ou devaneios urgem questionar os efeitos
da exploração mineira na paisagem e na vivência dos
seus habitantes.
Os minerais recolhidos do subterrâneo e expostos à luz,
na forma de colinas invertidas – as chamadas lavrarias ou
escombreiras – impõem-se numa paisagem, onde resta
muito pouco de pristino.
Esperança Antunes e o seu companheiro José Catarino
percorrem, duas vezes ao dia, o ténue caminho que
separa o rio Zêzere das lavrarias de minério. Ao longo
desse caminho – dizem eles – ou se canta, ou se chora,
ou se remete ao silêncio.
Contudo, nada é autoevidente – as imagens movem-se na
relação intrínseca entre efeito-afeto e é
precisamente pela indeterminação que esta obra se
apresenta.
Recorde-se a definição de «terceira zona» de Michel
Serres, onde nem o Sol nem a Terra são o centro. Ele
refere que o centro real de uma órbita se situa entre a
esfera brilhante e o ponto sombrio (1).
Deslocar matéria do centro da terra para o seu exterior
parece igualmente influir a trajetória do que o circunda:
Esperança declara o seu intento, a cobra canta e o rio
morre.


Os registos vídeo e áudio foram produzidos durante um
período de residência artística em Agosto 2019, com o
apoio das Aldeias de Xisto.


(1) Notes: “Le centre réel de chaque orbite gît exactement
à une tierce place, juste entre ses deux foyers, le globe
étincelant et le point obscure.”
Serres, Michel (1991), Le tiers-instruit

COLD EVENING – 2019

This installation proposes a simultaneous visualization of
contradictory territorial qualities of the region
between Cabeço do Pião and Barroca do Zêzere
(Portugal). Documentary footages or reveries urge to
question the effects of mine exploitation on the
landscape and on its inhabitant’s life.
Minerals collected from the underground and exposed to
light in the form of inverted hills – the so-called
lavrarias or heaps – impose themselves on a landscape,
where no pristine remains.
Esperança Antunes and her partner José Catarino walk
twice a day along the faint track that separates the
Zêzere River from the ore mines. Along this path – they
say – one either sings or cries or is silent.
However, nothing is self-evident – images move in the
intrinsic relationship between effect-affect and it is
precisely by indeterminacy that this work is shown.
Recall to Michel Serres’s definition of «third zone»,
where neither the sun nor the earth is the center. He
states
that the real center of an orbit lies between the bright
sphere and the shadow point (1).
Moving matter from the center of the earth to the outside
also seems to influence the trajectory of its
surroundings: Esperança declares her intent, the snake
sings and the river dies.


Video and audio recordings were produced during an
artistic residency period in August 2019, with the
support of the Schist Villages.


(1) Notes: “Le centre réel de chaque orbite gît exactement
à une tierce place, juste entre ses deux foyers, le globe
étincelant et le point obscure.”
Serres, Michel (1991), Le tiers-instruit