Edição 2022

Um encontro para debater varios cruzamentos com o território, os olhares e as suas diferentes escalas de intevenção, desde as iniciativas comunitárias de proteção do espaço-aldeia ao olhar questionador da fotografia. 

O território é a escala a que se olha. Diferentes escalas mostram realidades diversas. Intervenções de pequena escala, juntas, resultam afinal em transformações maiores. É este o ponto de partida para o seminário intitulado O Território é a Escala, promovido pela ADXTUR-Agência para o Desenvolvimento Turístico das Aldeias do Xisto, em parceria com o Projeto Entre Serras e a Associação Recreativa e Cultural de Cunqueiros. O convite para este dia é o de questionar a paisagem enquanto resultado de uma complexidade de intervenções, a diferentes tempos, com escalas diversas e objetivos distintos. Estas questões interpelam o futuro dos territórios do interior, a relação entre o campo e a cidade, entre o rural e o urbano. Como reconsiderar as economias locais, a gestão do meio rural e os seus constrangimentos na integração com uma economia global assente nos grandes centros urbanos?

No dia 12 de fevereiro será dada voz a projetos comunitários, de pequena escala, que reinventam a ligação à terra e aos lugares. Mesmo as aldeias mais esvaziadas de população podem apresentar inusitadas dinâmicas, como veremos no seminário com atores diretos da mudança descrevendo processos complexos que mesclam resiliência com empreendedorismo e inovação social. São as aldeias que dão significado à paisagem: a conversão de um pinhal em olival, ou a criação de uma faixa de proteção contra incêndios, traduzem uma vontade de assumir e cuidar do território. De estar presente. Durante o período da tarde, e porque a fotografia e a arte são dispositivos óticos que podem ativar reflexões, forças e dinâmicas que conduzem a novos imaginários, apresenta-se o resultado da missão confiada a três fotógrafos: registar o território. Partindo da aldeia de Cunqueiros, Duarte Belo seguiu na direção das serras da Lousã e do Açor, João Abreu em direção ao Tejo-Ocreza, enquanto Carlos Casteleira subia o Zêzere. Os artistas ajudam-nos a ver o que nem sempre é óbvio. Este retrato, datado, é importante porquanto o território está em permanente mudança.

Este Seminário revela o fluxo constante que existe entre o mundo rural e o urbano: a população pode partir para os grandes centros, mas os pés, esses, continuam na terra. E regressam periodicamente, juntando-se aos que lá resistem. O País, é tudo isto, e está vivo. E queremos olhá-lo a partir de dentro, através de um envolvimento direto, físico e relacional, comprometido.

Local: sede da Associação Recreativa e Cultural de Cunqueiros.
NOTA: inscrição gratuita, mas indispensável, até dia 5 de fevereiro 2021 para arccunqueiros@gmail.com.

BIOS Fotógrafos

Duarte Belo (Lisboa, 1968). Formação em arquitetura (1991). Desde 1986 que trabalha no levantamento fotográfico sistemático da paisagem, formas de povoamento e arquiteturas em Portugal. Este trabalho continuado sobre o território deu origem a um arquivo fotográfico de mais de 1.850.000 fotografias.

Publicou vários livros sobre o tempo e a forma do território português, de que se destacam: Portugal — O Sabor da Terra (1997-1998); Portugal Património (2007-2008) e Caminhar Oblíquo; Depois da Estrada; Viagem Maior (2020). De outros projetos editados em livro poderíamos referir O Vento Sobre a Terra (2002); Território em Espera (2005); Fogo Frio (2008); Portugal Luz e Sombra (2012); A Linha do Tua; (2013); Magna Terra (2018). Expõe desde 1987. Lecionou áreas relacionadas com a fotografia e a arquitetura. Foi curador de várias exposições. Participa regularmente em conferências sobre paisagem, arquitetura e fotografia. É editor do blog Cidade Infinita.

João Abreu (Moçambique, 1974). Licenciado em Design de Comunicação, Mestre em Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação e Doutorado em Ciências da Comunicação, é professor e investigador na Escola Superior de Comunicação Social (ESCS-IPL). Desde 1998, trabalha os temas da comunicação nos museus, património e paisagem. Participa regularmente, como investigador, autor, curador e editor, em conferências, exposições e publicações dedicadas ao registo e comunicação de paisagem. É fundador e membro da equipa do Museu da Paisagem.

Carlos Casteleira (Moita, 1962). O trabalho de Carlos Casteleira, pontuado por protocolos geofotográficos, desdobra-se em territórios e paisagens para renovar uma abordagem crítica à ecologia, à biodiversidade, aos equilíbrios socioeconómicos e geopolíticos. Através da fotografia e da cartografia, das imagens e a da escrita, ele inicia uma reflexão sobre o antropocentrismo, sobre as relações entre os seres humanos com os seus meios, as redes e os territórios. Carlos Casteleira é doutorando em Media Artes na Universidade da Beira Interior e Universidade Aix Marseille-LESA. Ensina fotografia na Escola de Arte de Aix en Provence e desenvolve a sua pesquisa como parte do Projeto Entre Serras, Rede de arte contemporânea, entre agricultura e biodiversidade que projeta e coordena.

Créditos Fotografias: Projeto Entre Serras – PES