Rodrigo Braga

PONTO ZERO é o titulo do trabalho que Rodrigo Braga desenvolveu durante uma residência nas Aldeias do Xisto no Conselho do Fundão em Julho e Agosto 2019. Este trabalho em conjunto com o resultado de outras residências será exibido logo que a pandemia o permita.

Denison Art Space in Newark, Ohio – USA
26 Set. – 18 Out. 2019

Rodrigo Braga (Manaus, 1976) vive entre o Rio de Janeiro e Paris. Expõe com regularidade desde 1999. Possui obras em acervos particulares e institucionais no Brasil e no exterior, como
MAM-SP, MAM-RJ e Maison Européenne de La Photographie – Paris.

A participação na 30ª Bienal de São Paulo em 2012 consolidou Rodrigo Braga como uma referência dentro do panorama da arte contemporânea brasileira, pela sua radical interrogação
das dimensões animal e natural da existência humana.
A inscrição do próprio corpo em contextos literalmente naturais, em cenas de representação que se desenvolvem em interstício entre o animal e o humano, o natural e o cultural, e a densidade da matéria e da dimensão simbólica da sua obra fazem dela, por meio da fotografia, do vídeo e da performance, um conjunto capaz de iluminar, a partir da arte, uma das
discussões estéticas e políticas mais contundentes e urgentes do nosso tempo, a saber, aquela que interroga as mutações e a perda da centralidade da condição humana e a ré-emergência
da sua dimensão animal no quadro de um mundo submetido a tensões ideológicas que incessantemente projetam uma ilusão de globalidade e virtualidade no exercício das relações entre as pessoas.
http://www.rodrigobraga.com.br

Rodrigo Braga (Manaus, 1976) currently splits his time between Río de Janeiro and Paris. He has been exhibiting regularly since 1999 and participated in the 30th São Paulo International Biennial in 2012. His work is represented in private and institutional collections in Brazil and abroad, such as Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), Museu de Arte Moderna de Río de Janeiro (MAM-RJ), and Maison Européene de La Photographie, Paris. Locally, Rodrigo Braga was part of the “Cruzamentos: Contemporary Art in Brazil” exhibit organized by the Wexner Center for the Arts in Columbus, Ohio in 2014.
Participation in the 30th São Paulo Biennial in 2012 solidified Rodrigo Braga as a reference within the landscape of contemporary Brazilian art, for his radical questioning of human existence. The inscription of the body itself is in literally
natural contexts, in scenes of representation that develop in interstices between the animal and the human, the natural and the cultural. The density of matter and the symbolic dimension of his work make it, through photography, video, and performance, a set capable of illuminating one of the most compelling and urgent aesthetic and political discussions of our time; this discussion is one that questions the mutations and the loss of the centrality of the human, as well as the reemergence of its animal dimension in the context of a world subjected to ideological tensions that incessantly project an illusion of globality and virtuality in the exercise of relations between people.
http://www.rodrigobraga.com.br

PONTO ZERO (Zero Point, 2019)
What does an artist see, feel, perceive, and create when he spends a season between the Schist Villages, in the interior of Portugal, on the banks of the Zêzere River, on tracks in mining areas, and through pine forests and their constant fires? This was Brazilian artist Rodrigo Braga’s proposal for the Entre Serras Project, which he used to express himself through mimesis with nature in its different exuberant fields, whether in the immensity of the Amazon, in the drought in northeastern Brazil, or in so many other landscapes of different continents. During the summer of 2019, the artist made an artistic residency in the region (Fundão Council ), where he could dialogue with the stories of that place and seek his form of recognition with the ambience. Braga presents his discoveries and his process as he leaves his cave. As can be observed in his production in recent years, the artist uses distinct and contrasting elements and materials, which confront each other
but also show us the interdependence of their mutual existence of the other. Darkness and light, ignorance and knowledge. Coming out of shadow and common sense, the artist travels through the depths of a scorched and exploited earth, and finds the most basic and primary formation of a place: the stone.
The death of nature is lived and the artist understands himself as part of the whole, he undresses and cuts off his hair, being able to mimic with that place where he is, but which is also where we came from and where we are going to. As if understanding the need to die in order to be reborn, Braga goes deeper and reaches the centre of the earth and presents us with an attempt to reset everything and start again from scratch. The man, the medium and its interactions. The filling of this space is only possible after it has been completely emptied. Thus, the artis presents a rebirth of the globe from its core, with stones that are shocked by a man also in their most primitive form.
Zero Point offers us a path of stones already cut by the hands of Rodrigo Braga, to be discovered if we want to venture out of our own caves.
Marcella Marer

PONTO ZERO
O que vê, sente, percebe e cria um artista quando passa uma temporada por entre as Aldeias do Xisto, no interior de Portugal, às margens do rio Zêzere, em trilhos em áreas de mineradoras, e por entre florestas de pinheiros e suas queimadas constantes? Essa foi a proposta do Projeto Entre Serras ao brasileiro Rodrigo Braga, acostumado por se expressar através de mimesis com a natureza em suas distintas exuberâncias, seja na imensidão amazônica, na seca do sertão brasileiro ou em tantas outras paisagens de diversos continentes.
Durante o verão de 2019, o artista fez uma residência na região (Conselho do Fundão), onde pode dialogar com as histórias daquele lugar e buscar a sua forma de reconhecimento com o meio envolvente.
Braga nos apresenta as suas descobertas e o seu processo ao sair da sua caverna. Assim como pode ser observado na sua produção dos últimos anos, o artista se utiliza de elementos e materiais distintos e contrastantes, que confrontam-se mas também nos mostram a
interdependência de um para existir o outro. A escuridão e a luz. A ignorância e o conhecimento. Saindo da sombra e do senso comum, o artista percorre as profundezas de
uma terra queimada e explorada, e encontra a formação mais básica e primária de um lugar: a pedra.
A morte da natureza é vivida e o artista entende-se parte do todo: despe-se e arranca seus cabelos sendo capaz de mimetizar com esse lugar onde está, mas que também é de onde viemos e para onde vamos. Como se compreendesse a necessidade de morrer para renascer, Braga se aprofunda e chega ao centro da terra e nos apresenta uma tentativa de zerar tudo e
recomeçar do zero. O homem, o meio e suas interações.
O preenchimento desse espaço só é possível depois de esvaziado por completo. Assim, o artista apresenta um renascimento do globo desde o seu cerne, com pedras que são chocadas por um homem também em sua forma mais primitiva.
Ponto Zero nos oferece um caminho de pedras já lapidadas pelas mãos de Rodrigo Braga, a ser descoberto se quisermos nos aventurar a também sairmos de nossas próprias cavernas.
Marcella Marer