Projeto Entre Serras actualidade


https://vimeo.com/709794013

On 12 February 2022, a voice has been given to small-scale community projects that reinvent the connection to the land and to places. Even the most depopulated villages can present unusual dynamics, as we see in the seminar « The territory is the scale » with direct actors of change describing complex processes that blend resilience with entrepreneurship and social innovation. It is the villages that give meaning to the landscape: the conversion of a pine forest into an olive grove, or the creation of a fire protection strip, translate a will to take on and care for the territory. During the afternoon, and because photography and art are optical devices that can activate reflections, forces and dynamics that lead to new imaginaries, the result of the mission entrusted to three photographers is presented: to record the territory. Starting from the village of Cunqueiros, Duarte Belo followed in the direction of the Lousã and Açor mountains, João Abreu towards the Tejo-Ocreza, while Carlos Casteleira went up the Zêzere. Artists help us to see what is not always obvious. This portrait, dated, is important because the territory is constantly changing.

The territory is the scale at which we look. Different scales show different realities. Small-scale interventions, together, ultimately result in larger transformations. This is the starting point for the seminar entitled The Territory is the Scale, promoted by ADXTUR-Agência para o Desenvolvimento Turístico das Aldeias do Xisto, in partnership with Entre Serras Project and the Recreational and Cultural Association of Cunqueiros. The invitation is to question the landscape as the result of a complexity of interventions, at different times, on different scales and with different objectives. It questions the future of the inland territories, the relationship between the countryside and the city, between the rural and the urban. How can we reconsider local economies, the management of the rural environment and its constraints on integration with a global economy based on large urban centres?

Um encontro para debater varios cruzamentos com o território, os olhares e as suas diferentes escalas de intevenção, desde as iniciativas comunitárias de proteção do espaço-aldeia ao olhar questionador da fotografia. 

O território é a escala a que se olha. Diferentes escalas mostram realidades diversas. Intervenções de pequena escala, juntas, resultam afinal em transformações maiores. É este o ponto de partida para o seminário intitulado O Território é a Escala, promovido pela ADXTUR-Agência para o Desenvolvimento Turístico das Aldeias do Xisto, em parceria com o Projeto Entre Serras e a Associação Recreativa e Cultural de Cunqueiros. O convite para este dia é o de questionar a paisagem enquanto resultado de uma complexidade de intervenções, a diferentes tempos, com escalas diversas e objetivos distintos. Estas questões interpelam o futuro dos territórios do interior, a relação entre o campo e a cidade, entre o rural e o urbano. Como reconsiderar as economias locais, a gestão do meio rural e os seus constrangimentos na integração com uma economia global assente nos grandes centros urbanos?

No dia 12 de fevereiro será dada voz a projetos comunitários, de pequena escala, que reinventam a ligação à terra e aos lugares. Mesmo as aldeias mais esvaziadas de população podem apresentar inusitadas dinâmicas, como veremos no seminário com atores diretos da mudança descrevendo processos complexos que mesclam resiliência com empreendedorismo e inovação social. São as aldeias que dão significado à paisagem: a conversão de um pinhal em olival, ou a criação de uma faixa de proteção contra incêndios, traduzem uma vontade de assumir e cuidar do território. De estar presente. Durante o período da tarde, e porque a fotografia e a arte são dispositivos óticos que podem ativar reflexões, forças e dinâmicas que conduzem a novos imaginários, apresenta-se o resultado da missão confiada a três fotógrafos: registar o território. Partindo da aldeia de Cunqueiros, Duarte Belo seguiu na direção das serras da Lousã e do Açor, João Abreu em direção ao Tejo-Ocreza, enquanto Carlos Casteleira subia o Zêzere. Os artistas ajudam-nos a ver o que nem sempre é óbvio. Este retrato, datado, é importante porquanto o território está em permanente mudança.

Este Seminário revela o fluxo constante que existe entre o mundo rural e o urbano: a população pode partir para os grandes centros, mas os pés, esses, continuam na terra. E regressam periodicamente, juntando-se aos que lá resistem. O País, é tudo isto, e está vivo. E queremos olhá-lo a partir de dentro, através de um envolvimento direto, físico e relacional, comprometido.

Local: sede da Associação Recreativa e Cultural de Cunqueiros.
NOTA: inscrição gratuita, mas indispensável, até dia 5 de fevereiro 2021 para arccunqueiros@gmail.com.

BIOS Fotógrafos

Duarte Belo (Lisboa, 1968). Formação em arquitetura (1991). Desde 1986 que trabalha no levantamento fotográfico sistemático da paisagem, formas de povoamento e arquiteturas em Portugal. Este trabalho continuado sobre o território deu origem a um arquivo fotográfico de mais de 1.850.000 fotografias.

Publicou vários livros sobre o tempo e a forma do território português, de que se destacam: Portugal — O Sabor da Terra (1997-1998); Portugal Património (2007-2008) e Caminhar Oblíquo; Depois da Estrada; Viagem Maior (2020). De outros projetos editados em livro poderíamos referir O Vento Sobre a Terra (2002); Território em Espera (2005); Fogo Frio (2008); Portugal Luz e Sombra (2012); A Linha do Tua; (2013); Magna Terra (2018). Expõe desde 1987. Lecionou áreas relacionadas com a fotografia e a arquitetura. Foi curador de várias exposições. Participa regularmente em conferências sobre paisagem, arquitetura e fotografia. É editor do blog Cidade Infinita.

João Abreu (Moçambique, 1974). Licenciado em Design de Comunicação, Mestre em Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação e Doutorado em Ciências da Comunicação, é professor e investigador na Escola Superior de Comunicação Social (ESCS-IPL). Desde 1998, trabalha os temas da comunicação nos museus, património e paisagem. Participa regularmente, como investigador, autor, curador e editor, em conferências, exposições e publicações dedicadas ao registo e comunicação de paisagem. É fundador e membro da equipa do Museu da Paisagem.

Carlos Casteleira (Moita, 1962). O trabalho de Carlos Casteleira, pontuado por protocolos geofotográficos, desdobra-se em territórios e paisagens para renovar uma abordagem crítica à ecologia, à biodiversidade, aos equilíbrios socioeconómicos e geopolíticos. Através da fotografia e da cartografia, das imagens e a da escrita, ele inicia uma reflexão sobre o antropocentrismo, sobre as relações entre os seres humanos com os seus meios, as redes e os territórios. Carlos Casteleira é doutorando em Media Artes na Universidade da Beira Interior e Universidade Aix Marseille-LESA. Ensina fotografia na Escola de Arte de Aix en Provence e desenvolve a sua pesquisa como parte do Projeto Entre Serras, Rede de arte contemporânea, entre agricultura e biodiversidade que projeta e coordena.

Créditos Fotografias: Projeto Entre Serras – PES