Projeto Entre Serras

COSMOLOGIAS – Sabugal 16/07 a 15/09

Cosmos”, do grego kosmos, tem 3 sentidos fundamentais:

a ordem, no sentido de organização;

o mundo, como ordem do universo, em particular o céu;

o ornamento, adorno do corpo humano (cosmética).

É disto que nos falam as cosmologias. Para um antropólogo, cosmologia é o conjunto articulado de razões de ser que o mundo tem numa determinada cultura.

Augustin Berque, Recosmiser la Terre. Quelques leçons péruviennes Ed.(B2-69)

A exposição e eventos – COSMOLOGIAS – Sabugal e Fóios de 16 de julho a 15 de setembro 2021, reúne artistas e outros profissionais (cientistas, pastores, ex-contrabandistas, agricultores …) com diferentes abordagens à realidade, construindo uma diversidade de “mundos” individuais e colectivos.

Os trabalhos apresentados são clara manifestação de ligações e coexistência entre o vivo e os seus meios. Apresentam-se no contexto da emergência de uma alternativa às perspectivas modernistas ocidentais. No trilho do geógrafo francês Augustin Berque propõem-se reavaliar a nossa concepção de meio ambiente não mais como um objecto separado de nós, pessoas, da nossa cultura, mas sim como uma relação simbiótica entre todos os seres que o habitam. A visão antropocêntrica é assim substituída por uma visão orgânica onde tudo está interligado. Saímos do paradigma antropomorfo para abraçar um arquétipo cosmomorfo onde o humano ganha consciência do seu lugar na teia do vivo. A noção de coexistência dinâmica onde a alimentação é fundamental, esta no coração deste novo paradigma, pois a agricultura e a pecuária com as técnicas e as tecnologias, influem diretamente sobre o nosso meio e modos de produção, proporcionando-nos sustento e alimentação.

A arte e a ciência são essenciais para desenhar mundos. Uma arte e uma ciência enraizadas num território com a sua própria historia e paisagem moldadas ao longo do tempo pela mão humana, pelas forças geológicas e dos seres vivos. Nestas perspectivas parece-nos imprescindível a partilha de diferentes experiências.

É esta multiplicidade que apresentamos na exposição do Museu do Sabugal numa interação com os espaços exteriores, nomeadamente entre Fóios, Navasfrías e Eljas (aldeias da Cordilheira Central da Península Ibérica), antecipando futuras ações entre povos de montanha aquém e além fronteira.

Este convívio tornar-se-á efectivo durante a Caminhada e a Convivência do sábado 17 e domingo 18 de julho. Um pirilampo de Erik Samakh será entregue simbolicamente à aldeia de Eljas.

A Mesa Redonda no jardim do Museu do Sabugal, quarta feira dia 21 de julho, leva-nos a reflectir juntos sobre a relação meios/seres vivos numa perspectiva simbiótica.

PROGRAMA:

Out 2019: exposição do PES no Denison Art Space in Newark Ohio – EUA

COSMOLOGIAS,

num conjunto de ações colectivas e participativas, numa combinação entre as comunidades e todas as forças vivas, destaca a importância de viver em sintonia com a terra e olhar o céu para ativar imaginários.

Uma viagem que começa no Museu do Sabugal no dia 16 de Julho com a exposição e a apresentação das Actas PES 2017 Interações entre o ser humano e os meios em territórios de montanha, passa pela nascente do Côa e Fóios e regressa ao Museu do Sabugal, para uma Mesa Redonda dia 21 de julho.



EXPOSIÇÃO/APRESENTAÇÃO ACTAS PES 2017 Museu do Sabugal dia 16 às 18 h

Do paleolítico a Fluxus e aos Situacionistas*, o corpo questiona o ser e a sua relação com o lugar e as estórias. Entre escrita, fotografia, vídeo e performance Duarte Belo, Erik Samakh, Laëtitia Morais, Rodrigo Braga, Annick Boissel e Carlos Casteleira convidam-nos a escutar as pedras. Entre as estrelas e as serras, as paisagens pedem-nos que escutemos o vento e a água. Entre a terra e o céu, as artes e a vida falam-nos do espaço e do tempo.

• Duarte BELO: TEMPO CHÃO, a paisagem do SABUGAL

• Erik SAMAKH: PIRILAMPOS DO CÔA

• Annick BOISSEL: COLÓNIA AGRÍCOLA MARTIM REI, uma travessia.

• Laetitia MORAIS: TARDE FRIA e Rodrigo BRAGA : PONTO ZERO, entre a Barroca do Zezêre e o Cabeço do Pião (Aldeias do Xisto)

• Carlos CASTELEIRA: LINHAS DE PASSAGEM com ex-contrabandistas, agricultores e pastores de Fóios.

* Movimentos caracterizados pela mescla entre diferentes artes visuais, a musica e o som, a literatura, as caminhadas e a psico-geografia. Tiveram seus momentos mais ativo entre a década de 1960 e a década de 1970, se declarando contra o objeto artístico tradicional como mercadoria e se proclamando como anti-arte.

Exposição dos trabalhos realizados por Duarte Belo, Erik Samakh, Rodrigo Braga, Laetitia Morais, Carlos Casteleira e Annick Boissel em 2019 e 2020 no Sabugal e nas Aldeias do Xisto.

CAMINHADA À BUSCA DOS PIRILAMPOS de Fóios e Navasfrias ao Côa dia 17 às 18h pt/19h es

À Busca dos Pirilampos, no trilho dos artistas caminhantes propõem-nos uma compreensão do território e da complexidade espaço-temporal que ele carrega. Dos biótopos às rotas do contrabando e dos pastores, dos caminhos dos agricultores às linhas de fronteira e à sua transgressão, da convivência à simbiose entre todos os seres que habitam a terra, fazemos um livro aberto para a compreensão e o conhecimento.

Dois pontos de partida: Fóios (18h pt) e Navasfrias (19h es). Os dois grupos encontrar-se-ão na nascente do Rio Côa e partilharão a ceia iluminados pelos pirilampos, a lua cheia e as eólicas. As pessoas, o alimento, a vida, a serra alem fronteiras.

CONVIVÊNCIA Fóios dia 18 às 16 h

Este encontro entre artistas e povos de ambos os lados da fronteira será uma oportunidade para a entrega de um pirilampo à aldeia de Eljas (Sierra da Gata), simbolizando a união dos espaços dos pontos de vista biológico e geológico, antropológico e agora também artístico. A exibição do filme Rewilding Portugal dará um dos motes para as conversas que, esperamos, ali frutifiquem.

MESA REDONDA Museu do Sabugal dia 21 às 18h

Reflexão sobre como nos relacionamos e como queremos nos relacionar com o mundo que nos rodeia. Da importância das artes, das ciências e da tecnologia nas interações com o meio. Exibição do filme Rewilding Portugal.

Convidados: Carlota Simões, Pedro Gadanho, Rui Simão, Álvaro Domingues, Laetitia Morais, Duarte Belo, Rodrigo Braga. Mediadores : Manuela Pires da Fonseca e Carlos Casteleira.

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Programação 2022: retoma da acção « Linha do Côa » prevista para 2020 e adiada devido à pandemia da COVID19

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A Linha do Côa é um workshop com estudantes da Escola Sup. d’Arte d’Aix en Provence, Universidade da Beira Interior e Universidade de Extremadura e artistas/professores. Caminhar e produzir arte numa imersão com a paisagem. Três etapas dos 175 km do GR que correm ao longo do rio Côa, conhecido pelas gravuras rupestres ao ar livre que ali se fazem desde o Paleolítico Superior serão percorridas.

Esta caminhada colectiva desenha uma linha de « espaço-tempo », das gravuras paleolíticas ao movimento Fluxus (do Museu do Vale do Côa ao Museu Vostell Malpartida em Espanha). O objetivo é questionar através do desenho, da fotografia, do vídeo e da escrita, da performance… a relação entre lugar, corpo físico e psíquico. Serão assim questionadas, através da experiência artística, as sociedades humanas e as relações que estabelecem com a ciência e a tecnologia, com os meios, o território e a paisagem.

Rodrigo Braga e Laetitia Morais (Residências Aldeias do Xisto – Fundão Agosto 2019)

• « Pirilampos » Erik Samakh (Serras do Açor, Estrela e Malcata e nascente do Côa – 2017 e 2018)

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Rodrigo Braga – Ponto Zero



• Persistencia del contacto de Virginia Lopez – (Espanha – 2018)